Que situação contemporânea levaria Tio Vânia, de Anton Tchekhov, a viver, pensar ou esbravejar com a mesma raiva impotente de quem percebeu o desperdício de tempo – seu bem mais precioso – tarde demais? Ter dedicado a vida a sustentar a ilusão de um terceiro ou assumir os
desencontros que culminaram em escolhas malfeitas? Um homem. Um espaço. Uma situação. Uma voz. Quanto de um monólogo precisa continuar sendo dito depois que ele ganha imagem, tempo, espaço, montagem e silêncio?